Para o vice-presidente da APPII, "a transformação digital das empresas não é obra de nenhum CEO, é do covid 19, foi ele que fez essa transformação".  

A pandemia do novo coronavírus foi um acelerador da transformação digital das empresas. E esse ritmo não vai abrandar nos próximos anos no setor da construção e imobiliário. Os meios digitais permitiram manter as atividades e até desenvolver negócios, mas também abriram uma caixa de Pandora.

É necessário ir mais longe nesta via digital, mas sem esquecer o insubstituível papel do fator humano. Estas são algumas das conclusões do webinar “Transformação Digital do Negócio no Setor da Construção e Imobiliário”, integrado no ciclo de webinars TEKSIL 2020, uma organização do Salão Imobiliário de Portugal e da Tektónica – Feira Internacional da Construção e Obras Públicas, que teve lugar esta terça-feira (2 de junho).

 Mediação imobiliária: internet como veículo de negócio As plataformas como o Zoom ou o Skype foram fulcrais para manter o contacto com os clientes durante o período de confinamento e para realizar visitas virtuais aos imóveis, realçou a oradora Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal.

Neste período, “a tecnologia passou a ser importantíssima” e uma ferramenta segura na pandemia para agentes e clientes. A possibilidade de ter um imóvel à distância de um clique manteve o negócio da Remax em terreno positivo, depois do primeiro impacto do confinamento. A mediadora regista atualmente 800 contactos por dia e, como sublinhou Beatriz Rubio, são pessoas que querem comprar casa ou querem vender.

“É tudo por email, é porque realmente têm interesse em comprar ou vender”, afirmou. Ricardo Sousa, CEO da Century21 Ibéria, reconheceu que na primeira semana de confinamento registou-se uma “anestesia geral e depois uma queda livre do tráfego online” da imobiliária. Mas a partir ainda do final de março, “o tráfego começou a recuperar e em meados de abril estava em linha com o período pré-covid”. Já em maio, “vimos esse movimento transformar-se em contactos e já estamos a níveis de 2019 naquilo que é a procura e o interesse”. Na sua opinião, “não existiu uma paragem do sector, houve uma suspensão da procura pelo motivo óbvio de segurança, de saúde”.

Com o negócio a ser suportado pela via digital, a mediação imobiliária sentiu “a evidência da transformação de alguns protocolos”, como a aceitação de assinaturas digitais ou a avaliação de imóveis com recursos às novas tecnologias.

Tudo isto foi feito, mas falta agora permitir a realização de escrituras digitais, um trabalho que já está a ser desenvolvido pela Ordem dos Notários e pelo Ministério da Justiça. Medidas que podem assegurar a manutenção da atividade no caso de uma segunda onda da pandemia, mas também relevantes porque se tornou mais eficiente e prático para os clientes o uso de meios digitais. Contudo, realçou Ricardo Sousa, “a digitalização não serve para substituir o fator humano, serve para otimizar o trabalho de todos os stakeholders do sector da construção e imobiliário”.

Como frisou, “a compra de um imóvel é um momento crucial da vida do cliente” e “aí a tecnologia por si só não é a solução”.

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), Hugo Santos Ferreira, lembrou que cerca de 200 empresas do sector elaboraram um manifesto com vista a relançar a economia, sendo que uma das medidas propostas é a realização de escrituras digitais.

 “Fazer um negócio à distância vai fazer parte do futuro”, afirmou. Na sua opinião, “a transformação digital das empresas não é obra de nenhum CEO, é do covid 19, foi ele que fez essa transformação digital, que iria demorar décadas e demorou uma semana”. Construção: Um futuro cada vez mais digital Para Jorge Portugal, diretor geral da Cotec, a transformação “já estava a acontecer, mas tivemos um acelerador Covid”.

No entanto, “essa aceleração só aconteceu nas empresas que já estavam preparadas, nas que não estavam não teve grande efeito e pode-se colocar a questão se essas não ficaram irremediavelmente para trás, caso não haja um esforço de recuperação”.

Atualmente, as empresas para estarem no mercado têm de estar digitalmente ligadas com os clientes, com os parceiros, com os fornecedores, com os próprios trabalhadores, defendeu. Para o setor da construção, Jorge Portugal considerou ser essencial a proximidade ao cliente através das plataformas digitais, lembrando que a primeira fase de prospeção do mercado é agora feita na internet, sejam clientes profissionais ou particulares. Mas também a montante, ao nível dos projetos, o setor tem de apostar nas plataformas colaboracionais, onde é possível juntar “o trabalho do arquiteto, do projetista, do engenheiro e o próprio promotor imobiliário e ainda antes de colocar uma pedra”. Plataformas como o BIM (Building Information Model) são disso exemplo.

O grupo Casais é uma das empresas de construção portuguesa que já utiliza esta ferramenta de trabalho colaborativo, que permite juntar as várias especialidades necessárias para projetar uma obra e antever de forma virtual o resultado. Para Miguel Mota Pires, diretor técnico do grupo Casais, “não foi o covid que nos digitalizou, mas uma perceção estratégica já de alguns anos”, e essa aposta tem permitido ganhos de produtividade. O responsável pelo BIM na construtora portuguesa adiantou ainda que já incorporaram até na frente de obra a digitalização.

“Os nossos encarregados trabalham com tablets, a consulta dos processos físicos é relativamente pontual, damos formação e capacitamos os chefes de obra e os encarregados” para a utilização destes meios. O grupo Revigrés também não se apartou das novas tecnologias e da plataforma BIM. Segundo Nilza Paraiba, designer de comunicação da Revigrés, o sistema colaborativo BIM permite que os materiais de construção sejam incluídos na fase preliminar do projeto. Essa possibilidade dá novas oportunidades de negócio à empresa, que pode assim apresentar os seus produtos e respetiva ficha técnica, distinguindo-os da concorrência.

FONTE: DINHEIRO VIVO

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