O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considerou hoje que o grupo SATA deve ser alvo de uma intervenção “relativamente maior” do que a desenhada para a TAP no quadro da União Europeia.

Mário Fortuna declarou que “é incontornável que a SATA também precisa de uma intervenção a fundo, como a que aconteceu na TAP”, e “até relativamente maior, porque tem índices de endividamento muito superiores”.

O dirigente empresarial falava aos jornalistas, em Ponta Delgada, após um almoço de trabalho das associações empresariais e sindicais de São Miguel e Santa Maria representativas do tecido empresarial, da lavoura, da construção civil, da hotelaria e do alojamento local, da restauração e da intersindical UGT.

A Comissão Europeia aprovou em 10 de junho um “auxílio de emergência português” à TAP, um apoio estatal de 1,2 mil milhões de euros para responder às “necessidades imediatas de liquidez”, com condições predeterminadas para o seu reembolso.

Com base na decisão de Bruxelas, “as autoridades portuguesas comprometeram-se em que a TAP reembolsará o empréstimo ou apresentará um plano de reestruturação no prazo de seis meses, a fim de assegurar a viabilidade futura” da empresa, explicando a Comissão Europeia que deu o seu aval também tendo em conta que a aviação foi um setor particularmente atingido pela covid-19, dada a suspensão das viagens.

“Não se compreende que se resolva o problema da TAP e não o da SATA. Como se vai proceder não se sabe, mas a SATA precisa urgentemente de ser saneada, exigindo-se na intervenção uma autorização de Bruxelas, o que parece inquestionável”, declarou Mário Fortuna, frisando que “alguma coisa tem de ser feita”.

De acordo com o também economista e docente universitário, a transportadora aérea “não pode desaparecer de um dia para o outro, sem mais nem menos”, uma vez que se “assentou muito a economia na estratégia da SATA como pilar de sustentação”.

O presidente do Governo Regional dos Açores disse em 28 de maio que estão a ser avaliadas “todas as possibilidades abertas” no quadro da União Europeia para fazer face às dificuldades financeiras do grupo SATA, na sequência da pandemia da covid-19.

Vasco Cordeiro declarou que “está a ser feita uma análise muito cuidada do impacto desta situação” nos resultados da SATA, bem como de “todas as possibilidades que o grupo tem de recurso às medidas da Comissão Europeia, no âmbito da alteração do regime de ajudas de Estado”.

O presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu, por seu turno, na quinta-feira que a região deve aproveitar as "soluções de exceção" aceites pela União Europeia para reestruturar a transportadora aérea SATA, à imagem do que foi feito com a TAP.

O grupo SATA reconheceu em 29 de maio que a Azores Airlines, ramo que opera de e para fora dos Açores, continua a "apresentar desequilíbrios operacionais e financeiros significativos", apesar da melhoria dos resultados em 2019.

O grupo fechou o ano de 2019 com prejuízos de 53 milhões de euros, valor semelhante ao registado em 2018, mas com melhorias em ambas as transportadoras aéreas, quer a Azores Airlines quer a SATA Air Açores, que faz as ligações entre as nove ilhas.

No que se refere à Azores Airlines, os prejuízos foram de 55,8 milhões de euros, uma melhoria de 7,6 milhões face a 2018, indicou a empresa.

 

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