O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, chegou hoje à Bermuda para uma visita oficial de três dias, tendo sido recebido à chegada por dezenas de portugueses e lusodescendentes, a maioria dos quais de origem açoriana.

À chegada ao território, e falando aos jornalistas portugueses, Vasco Cordeiro, que se encontra pela primeira vez na Bermuda, destacou o "carinho" com que a comitiva açoriana foi recebida, numa visita a convite do 'premier' [chefe do governo] local, Edward David Burt, e que assinala o 170.º aniversário da chegada dos primeiros imigrantes portugueses ao território.

Num dia quente e soalheiro, foram dezenas as pessoas que se deslocaram ao aeroporto da Bermuda com bandeiras dos Açores e de Portugal, falando com o presidente do executivo açoriano e dando as boas-vindas à delegação regional.

Posteriormente, Vasco Cordeiro, acompanhado do secretário para as Relações Externas do executivo açoriano, Rui Bettencourt, foi recebido pelo Governador da Bermuda, John Rankin, tendo sido trocadas visões, disse este último, sobre "os laços históricos e os laços modernos" que unem a Bermuda e os Açores.

"As razões desta visita ancoram-se de forma muito clara num percurso comum feito pela Bermuda e pelos Açores", lembrou depois Vasco Cordeiro, lembrando o contributo "decisivo" da comunidade açoriana para o progresso da Bermuda.

O governante disse ainda esperar que nos próximos dias seja abordada "de forma mais detalhada" a melhor maneira de "dar atualidade" às relações entre os Açores e a Bermuda, havendo vários "desafios comuns" entre as regiões, nomeadamente "as alterações climáticas" e a "resistência e resiliência" das populações a fenómenos naturais.

A Bermuda - cuja diferença horária para Lisboa é de três horas a menos - é um território ultramarino britânico situado no Atlântico norte, que foi destino da emigração açoriana desde o primeiro quartel do século XIX.

Estima-se, de acordo com informações do Governo dos Açores, que cerca de 20 a 25% da população da Bermuda seja descendente de portugueses, dos quais 90% de origem açoriana.

Em maio de 2016, os executivos dos Açores e da Bermuda assinaram, em Ponta Delgada, um memorando que conferiu um enquadramento político e institucional à relação afetiva existente entre os dois arquipélagos atlânticos, assente, sobretudo, na emigração açoriana que, a partir de meados do século XIX, rumou àquele território atlântico.

No domingo, Vasco Cordeiro visita a exposição permanente "Azores e Bermuda", no Museu Nacional da Bermuda, que retrata a importância e a influência, ao longo do tempo, da comunidade para o desenvolvimento daquele território, participando, à tarde, na procissão em honra da comunidade portuguesa.

A noite desse dia está reservada para a sessão solene de comemoração da chegada dos portugueses à Bermuda, organizada por uma comissão composta pelo Governo da Bermuda, pela Casa dos Açores da Bermuda, pela comissão de Festas do Senhor Santo Cristo da Bermuda e pela comissão das Festas do Divino Espírito Santo da Bermuda, entre outras entidades.

Na segunda-feira, feriado nacional instituído este ano para assinalar a chegada dos portugueses à Bermuda, o programa tem início com a cerimónia de descerramento de uma placa alusiva à chegada de açorianos à Bermuda, enquanto que, à tarde, Vasco Cordeiro inaugura a sede da Casa dos Açores na Bermuda, encontrando-se com a comunidade açoriana.

Está ainda prevista uma visita ao Clube Vasco da Gama, fundado em 1935, responsável pela Escola Portuguesa, dedicada ao desenvolvimento e preservação da língua portuguesa, projeto apoiado pelo Governo dos Açores.

No último dia da visita oficial, o presidente do Governo visita ainda a Portuguese Rock, localizada na Reserva Natural Spittal Pond.

A emigração açoriana para a Bermuda data da segunda metade do século XIX.

Embora estes primeiros imigrantes fossem da Madeira, nas décadas seguintes, a maioria dos imigrantes portugueses chegaria dos Açores, juntamente com cabo-verdianos e outros madeirenses, indicam dados do executivo dos Açores.

Por volta de 1890, os imigrantes portugueses estavam bem estabelecidos na Bermuda, sendo a maioria oriunda do arquipélago dos Açores.

Se, relativamente aos outros destinos da emigração açoriana, a maioria dos emigrantes eram oriundos de todas as ilhas dos Açores, no caso da Bermuda, são, maioritariamente, naturais de concelhos específicos de São Miguel.

A Bermuda foi, assim, o terceiro grande destino da emigração açoriana, após Brasil e Estados Unidos da América.

­Relativamente aos processos que foram tratados diretamente pela Direção Regional das Comunidades dos Açores, apurou-se, de 1960 a 2018, um total de 8.626 cidadãos portugueses da região que saíram para a Bermuda com contrato de trabalho, para exercerem diversas atividades profissionais, nomeadamente nas áreas da construção civil e jardinagem.

De 2013 a 2018 saíram da região 389 cidadãos dos Açores, e este ano, de janeiro a 13 outubro, saíram da região 80 cidadãos açorianos com contrato de trabalho para a Bermuda.

 

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