Agustina Bessa-Luís morreu esta segunda-feira de madrugada, aos 96 anos, confirmou o PÚBLICO junto de um familiar. A escritora estava doente há mais de uma década, mas o seu estado de saúde agravara-se nos últimos tempos.

“Há personalidades que nenhumas palavras podem descrever no que foram e no que significaram para todos nós. Agustina Bessa-Luís é uma dessas personalidades”, reagiu Marcelo Rebelo de Sousa. Em memória da “criadora”, “cidadã” e “retrato da força telúrica de um povo”, o “Presidente da República curva-se perante o seu génio e expressa aos seus familiares as mais sentidas condolências”.

A missa de corpo presente, celebrada pelo bispo do Porto, D. Manuel Linda, terá lugar na terça-feira, às 10h, na Sé do Porto, onde o corpo ficará em câmara ardente até ser transportado para o jazigo da família no cemitério de Peso da Régua.

Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922. A sua infância e adolescência serão passadas nesta região, que marcará fortemente a obra da escritora. Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado​, mas é em 1954, com o romance A Sibila, que se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea.

Em 1951, venceu os Jogos Florais do Minho com o conto Civilidade, ao qual concorreu usando como pseudónimo o nome do seu marido, o advogado Alberto Oliveira Luís.

Afastada da vida pública, por razões de saúde, há cerca de duas décadas, Agustina Bessa-Luís foi distinguida em 2004 com o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora, pela sua carreira como ficcionista, e com o Prémio Camões, o mais alto galardão das letras em português. Eduardo Lourenço chamou-lhe “a grande senhora das letras portuguesas”.

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