Embora nunca tenha sido mais fácil trabalhar com sucesso em casa, há várias "armadilhas" comuns a serem evitadas.


Jen Goldenberg Doner, da Business Insider, passou a trabalhar em casa. Ia ser fácil, pensou: controlaria a sua própria agenda, teria tempo disponível, não teria de sucumbir ao stress alheio, nem aos estados de alma das chefias. Mas apercebeu-se rapidamente que as coisas não são simples como parecem. E estabeleceu dez ‘mandamentos’ que vale a pena conhecer antes de optar por deixar o escritório.

“Depois de me formar, em 2010, fui assistente de vendas de publicidade numa revista conhecida. Durante os seis anos seguintes, passei o tempo a saltar de revista em revista, tentando desesperadamente encontrar o meu nicho para subir na hierarquia. Nos últimos dois anos, trabalhei em casa como consultor de parcerias editoriais e de marca para várias empresas de media”, diz Jen Doner.

E também diz que teria agradecido se, há dois anos, alguém lhe tivesse revelado dez segredos simples.

Todos pensam que está em casa a ver televisão

O primeiro dia a trabalhar em casa “foi um pouco assustador”. Poderia ligar a TV? Quem a impediria? “Percebi que era o meu próprio patrão e podia fazer o que quisesse para a estadia em casa funcionar”. Doner acabou por concluir que “o ruído de fundo da TV impede-me de ficar louca, mas também me ajuda a sentir que não estou a viver numa bolha”.

Ninguém acha que está sempre ocupado
Uma vez em casa, a sucessão de favores começou: comprar o presente de última hora, a roupa esquecida na loja de limpeza a seco, o jantar. Porque não? Afinal, “não há ninguém ‘colado’ à minha mesa, dando atenção ao que faço na hora do almoço ou se saio 10 minutos antes da hora”. Mas, Jen Doner teve de parar: “mesmo que seja mais fácil fazê-lo, aprendi que nem sempre é possível dizer sim. Embora tenha muito mais liberdade agora do que no meu trabalho de secretária, isso ainda não significa que eu não esteja ocupada. Na verdade, estou mais ocupada do que nunca”

Defina um horário

“Disse a mim mesma que trabalharia as horas tradicionais”. Não deu certo: começava o dia às 9 da manhã e parava às seis da tarde, mas mais frequentemente às nove da noite. Era um sufoco e principalmente uma perda de tempo. Atualmente, Doner estabilizou um horário que só muito por acaso deixa de cumprir: “o meu dia normal de trabalho é d«das 11h às 19h, o que acho ser a parte mais produtiva do dia”.

Mais tempo livre quer dizer maior eficiência

Cerca de 50% do tempo de trabalho, se bem medido, é gasto em coisa nenhuma. Ou, na melhor das hipóteses, em coisas que podem deixar de ser feitas e de forma mais eficiente: várias corridas ao café, um longo e improdutivo almoço, telefonemas descenessários e por aí adiante. “Posso acordar mais tarde agora, e talvez eu pare mais cedo, mas no tempo em que estou a trabalhar, estou extremamente motivada para fazer o meu trabalho. E que estou livre para mais tarde aproveitar o resto do dia”.

 Escolher um espaço de trabalho

O sofá não é um escritório. A cama ainda menos. “Comecei a trabalhar na mesa de jantar e, embora servisse ao propósito, não me fazia sentir como se estivesse a trabalhar. Era casual demais, e não permitia suficiente disciplina”, refere Jen Doner. “’Esculpi um pequeno recanto que se tornaria o meu escritório e funcionou totalmente”.

Saia de casa

Um amigo de Jen Doner, que também trabalha em casa, perguntava-lhe constantemente: “Sais-te do apartamento esta semana? Sentia-me muito desconfortável quando a minha resposta era ‘não’”.

Interagir com o resto da humanidade

Há sempre o perigo, principalmente com o correio eletrónico, de deixarmos de falar com o resto da humanidade. “Todas as profissões são diferentes e mesmo que o seu trabalho requeira pouco contato humano, tente encontrar uma maneira de encaixá-lo no dia-a-dia”. Sob pena de ir parar a uma cadeira de terapeuta.

Acabar com o lado dramático do trabalho

‘Jogo de ancas’, hipocrisia, sorrisos amarelos. Tudo isso acabou com o trabalho em casa. O que, como explica Jen Doner, acrescenta não só tempo de trabalho – o tal que deve ser gasto de forma mais eficiente – mas principalmente qualidade de vida.

Não ter medo de salário mais curto

“Quando decidi trabalhar em casa, acabara de recusar uma oferta de trabalho realmente boa, que tinha um grande aumento salarial. Foi uma decisão difícil, mas eu sabia que ter a minha liberdade e dedicar-me ao trabalho que eu queria renderia resultados muito melhores no futuro”. Mesmo que o apuro mensal seja mais baixo. Até porque, em princípio, há despesas – transporte, parqueamento, e até a possibilidade de não ter de rever constantemente o que está dentro dos armários da roupa – que podem ser cortadas, o que permite contrabalançar uma eventual descida do salário.

Vestir-se todos os dias

Por falar em roupa, Jen Doner deixa um último aviso: vista-se todos os dias. Trabalhar de pijama irá aos poucos minando o lugar de trabalho, quando ele coincide com a casa em que se vive todos os dias.

António Freitas de Sousa

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