A BTL regressa na quarta-feira para a edição 30. Mais moderna e digital começa a pensar os próximos anos do setor mais dinâmico da economia .

Quando Filipe Cordeiro fez 30 anos decidiu trocar a multinacional norte-americana onde fazia consultoria bancária pelo Turismo. Começou por organizar, ainda em jeito de brincadeira, uns workshops de gastronomia para apresentar Portugal aos estrangeiros e, em pouco tempo, tinha as bases, e o sócio, que fariam nascer a Cooking Lisbon – uma startup que põe os turistas a aprender a cozinhar cataplana, arroz de marisco, bacalhau ou os tão pedidos pastéis de nata.

 Começaram por desenhar “um plano de negócios para dois, três anos” e nunca mais pararam. Das cozinhas próprias saltaram para um pequeno espaço na Rua de Santa Marta e, mais recentemente, arrendaram 125 metros quadrados na Almirante Reis – “perto do mercado de Arroios ou de Alvalade”, onde também levam os turistas.

Só no ano passado, o de todos os recordes para o setor, ensinaram culinária a quase 5000 visitantes estrangeiros. Agora, vão mostrar-se à Bolsa de Turismo de Lisboa, que este ano reforça a aposta na tecnologia e inovação e dá visibilidade aos novos negócios que o bom momento do sector tem ajudado a criar.

Só em 2016, nasceram 1500 startups de turismo. As contas de 2017 ainda se fazem, mas sabe-se que das 160 empresas criadas por dia, a maioria eram negócios de Turismo. Só o Centro de Inovação do Turismo que nasceu para “contagiar a indústria tradicional com a inovação”, ajudou a incubar 250 startups ao longo do último ano. Com o apelo à renovação cada vez mais presente no dia-a-dia da indústria, a maior feira de turismo do país, que arranca esta quarta-feira, em Lisboa, quer acompanhar as novidades.

 “A inovação nunca foi tão importante para o sector e será o fio condutor desta edição da BTL”, conta ao Dinheiro Vivo Fátima Vila Maior, diretora de feiras da FIL, realçando “as muitas startups que estão a desenvolver produtos para este setor”. É por isso que este ano a BTL vai reunir 20 startups que se juntam a hotéis, operadores e agentes de viagens, municípios e regiões de turismo ao longo de cinco dias para se promoverem junto de investidores privados e do público. Este ano, há uma startup estrangeira. “Quisemos que este fosse um ano de tendências”, relata Fátima Vila Maior, por trás da organização do certame, lembrando que as novas ideias estão a contagiar o setor e vão bem além do nascimento de startups. BTL começa na quarta-feira. Conheça as novidades deste ano no turismo “Temos inovação, por exemplo, na hotelaria, e projetos que sendo tradicionais se tornam inovadores apenas pela abordagem que têm perante o cliente”, realça a responsável, que impôs à edição 30 a missão de “antecipar os próximos anos do Turismo”.

Nem sempre foi assim, recorda Raúl Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Com um Turismo pouco diversificado e muito dependente do ‘sol e praia’, a BTL era, até há pouco tempo, o espelho do país. “Era muito institucional, eram muito as regiões, a propaganda do destino, e a grande diferença é que hoje temos muito mais presença de grupos privados que estão a investir, mesmo os mais pequenos, e que procuram este tipo de montras para captar os seus clientes”.

 A aposta privada tem sido reforçada ao longo dos anos e a feira tornou-se um ponto de paragem obrigatório. “É onde se pode sair do normal e do que já se conhece”, diz Raúl Martins. É por isso, diz Fátima Vila Maior, que este ano haverá bloggers e influenciadores a contar experiências e a apontar tendências. Dar palco aos nomes que cada vez mais portugueses consultam antes de marcar as suas férias.

Mas no tradicional também há apostas novas, lembra, por exemplo, Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro. “O mercado interno continua a ser o de primeira procura para o centro do país e tem as suas grandes manifestações nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. É a esse público que queremos chegar”. Como? Este ano será pela boca, trunfo que tem forte saída junto de mercados como o Canadá e Estados Unidos, e que o centro procura valorizar. Inovar também é sustentabilidade, diz José Brito, presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, que tem vindo a promover “um centro comercial da natureza onde tudo o que se oferece não se pode comprar na cidade”.

É esta a proposta que têm apresentado aos turistas que os visitam e o que levam à BTL onde são o município convidado. Pavilhão 1 em montagens para a 30ª edição da Bolsa de Turismo de Lisboa. Pequenos passos em direção a “um Turismo que será cada vez mais segmentado e diferenciado”, lembra Fátima Vila Maior, destacando que já lá vai o tempo em que havia uma receita igual para toda a gente. “Temos é de personalizar e há uma coisa que une isto tudo: já temos um país riquíssimo culturalmente, em gastronomia e natureza, mas ainda não dominamos a formação e é isso que temos de alterar”, assume.

Com a indústria a viver uma escassez inédita de mão-de-obra, e com apelos para esta maior profissionalização, o certame da próxima semana vai abrir vagas de emprego em 60 empresas diferentes. Ao todo, a Bolsa de Empregabilidade, que se realiza pela terceira vez consecutiva, vai contar com 10 mil vagas de emprego – para mais e menos qualificados. “Não podemos alterar a gastronomia que felizmente é ótima, a natureza que é do mais diversificado possível com cenários diferentes de norte a sul do país, mas é onde podemos dar especial atenção, porque o turismo do futuro será de segmentação.

Isto não quer dizer que o nosso serviço não seja bom”, detalha a diretora da área de feiras da FIL. Com foco na especialização da oferta, e com vontade de crescer mais em qualidade do que em quantidade, este ano espera-se a maior BTL de sempre – à boleia do melhor ano de sempre do turismo. Serão 1300 expositores, 400 hosted buyers (investidores), 40 destinos estrangeiros, e 75 mil visitantes. Números impensáveis na primeira edição, em 1989, onde se contaram 176 expositores e seis países estrangeiros com presença direta.

 Ana Margarida Pinheiro

 

Pin It

SOTERMAQUINAS